Biomédica formada pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP, campus Botucatu), mestre e doutora em genética também pela UNESP, pós-doutora pela Univesität zu Lübeck, na Alemanha, e pela Faculdade de Medicina da USP. Há mais de 12 anos na Faculdade de Medicina da USP, Cássia Terrassani Silveira é uma pesquisadora dedicada ao estudo da resposta imune de doenças infecciosas e de abordagens de prevenção e tratamento. No Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Imunobiológicos (CeRDI), a cientista se dedica à pesquisa de anticorpos monoclonais eficientes para combater o vírus Influenza, causador da gripe.
Ao longo de sua trajetória, ela se dedicou ao estudo da genética no tratamento de doenças humanas proliferativas, como leucemia, tumores de mama e próstata e endometriose. Ao retornar de seu pós-doutorado na Alemanha, envolveu-se em estudos de imunologia de doenças infecciosas e vacinas, tendo atuado nos estudos de resposta imune induzida pela vacina contra dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. Nos trabalhos do CeRDI, a cientista coordena uma equipe com pesquisadores em nível de mestrado (Thaís Rezende), doutorado (Leonardo Ormundo) e pós-doutorado (Victória Lunardelli e Anne Ventura) dedicados a investigar e identificar anticorpos neutralizantes contra Influenza a partir da caracterização molecular de células B de memória (um tipo de célula de defesa capaz de “lembrar” de um antígeno, e ativar uma nova resposta imune mesmo se o organismo estranho voltar depois de anos) derivadas de indivíduos vacinados contra influenza.
A equipe coordenada por Terrassani Silveira foi responsável, inclusive, pela transferência de tecnologia da Universidade George Washington, dos Estados Unidos, voltada à pesquisa em larga escala e de última geração de anticorpos monoclonais a partir de células B de memória. O avanço da ciência brasileira sempre foi uma das principais motivações da pesquisadora. “Sempre tive esse propósito de trabalhar no meu país, e fazer a ciência no Brasil evoluir. Desenvolver aqui, e mostrar que a gente é capaz”, afirma.
Ela também explica que a alta taxa de mutação associada aos vírus Influenza (pequenas alterações que ocorrem diversas vezes no material genético do vírus) torna desafiadora a produção de anticorpos capazes de neutralizá-los. Também conta como, atualmente, a literatura científica não conta com dados que considerem a diversidade genética da população brasileira nesta área de pesquisa. Por esse e outros desafios, Terrassani Silveira reafirma que a pesquisa em saúde demanda mais do que curiosidade. “Propósito, resiliência e dedicação, para melhorar a qualidade de vida das pessoas”, destaca.