Farmacêutico formado pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), doutor em biotecnologia pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Université Louis Pasteur Strasbourg, da França, a trajetória profissional de Renato Astray se confunde com a do próprio Instituto Butantan. Com mais de 25 anos de trabalho, ele ajudou a trazer ao Brasil e desenvolver no instituto as vacinas de RNA mensageiro – a tecnologia simula a forma como a célula lê as informações do DNA, para ensiná-la a produzir partes de patógenos que não causam doenças mas preparam o sistema imunológico para o patógeno real.
Desde 2018 Astray se dedica à pesquisa sobre o vírus da influenza. Membro do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Imunobiológicos (CeRDI), atualmente ele trabalha usando células animais para cultivar os vírus influenza, que depois são inativados para fabricar as doses de vacina. Essa tecnologia permite abandonar o uso de ovos de galinha para cultivar vírus. “Além de diminuir custo de fabricação, reduz o impacto ambiental envolvido na produção dos ovos”, destaca.
Natural do bairro Butantã, Astray cresceu como vizinho do Instituto onde viria a desenvolver toda sua trajetória profissional. Entrando como estagiário no ano 2000, depois aprovado em concurso em 2003, o cientista confessa que seu primeiro interesse de pesquisa eram os venenos – um dos ramos de atuação mais famosos do Instituto Butantan – mas o trabalho com imunizantes o tornaram um destaque. Em seu trabalho junto ao CeRDI, Astray ajuda a enfrentar o que considera um importante desafio: garantir a soberania científica e tecnológica do Brasil.