Estudo aponta que vacina da gripe pode reduzir risco de Alzheimer

O estudo inicial se baseia na análise de dados de saúde de centenas de milhares de pessoas idosas nos Estados Unidos

 

04/05/2026

 

Um grupo de pesquisadores concluiu que a vacina de alta dose contra o vírus da influenza reduz em 55% o risco de aparecimento do mal de Alzheimer. Para chegar a esse resultado, a equipe analisou os dados de mais de 200 mil pessoas a partir dos 65 anos de idade. O estudo é assinado por oito autores, liderado por Paul Schulz, neurologista e professor na University of Texas Health Science Center at Houston. As conclusões foram publicadas pela revista científica Neurology, na edição de Abril de 2026.

Os cientistas compararam indivíduos vacinados e não vacinados, entre os anos de 2014 e 2019, utilizando informações da IQVIA PharMetrics Plus for Academics, uma base de dados de sistemas de saúde dos Estados Unidos. Foram selecionados idosos sem diagnóstico prévio de problemas cognitivos, e que estavam sob acompanhamento médico há pelo menos dois anos. Os pesquisadores observaram os dados de cada indivíduo nos três anos seguintes à vacinação. 

 

Publicado no artigo, o gráfico compara a aparição do mal do Alzheimer entre quem tomou a vacina de dose comum e a vacina de alta dose – esta segunda, em azul, registra menos casos


Este estudo é a continuação de outro que o Dr. Schulz já havia liderado em 2022. A pesquisa anterior percebeu uma redução de 40% no risco do mal de Alzheimer em idosos que receberam a vacina de dose regular. Porém, essa informação não era o bastante para concluir que a redução era causada pelo imunizante. Uma hipótese era que pessoas que se vacinam regularmente também tendem a ter outros hábitos saudáveis, e esse conjunto poderia ser responsável por preservar a saúde do cérebro em geral.

O segundo trabalho, publicado agora em 2026, analisou dados indiretos para provar que a vacina contra a gripe de alta dose tem efeito direto na proteção contra o mal de Alzheimer. Outra descoberta é que a proteção dada pelo imunizante é maior em mulheres do que em homens. O motivo ainda não está explicado, mas a hipótese é que, pelo fato das mulheres terem uma resposta imunológica induzida por vacina mais forte, isso pode afetar a forma como o Alzheimer leva à perda de células cerebrais. 

Os pesquisadores afirmam, porém, que ainda é preciso estudar como exatamente a vacina consegue proteger o cérebro contra demências. Infecções e inflamações em geral são fatores associados com o declínio cognitivo, por isso a hipótese é que a resposta imune provocada pela vacina contra a gripe tenha esse efeito associado à proteção do tecido cerebral. Há também a hipótese de que a vacina contra a gripe possa treinar o sistema imunológico de uma forma que ajude a proteger o cérebro de um modo geral. 

Os autores do artigo também deixam claras outras limitações deste trabalho: observar somente três anos de cada indivíduo após a vacinação é um tempo curto; faltam dados importantes, como características sociodemográficas, biomarcadores e nível de mortalidade. Eles concluem que novos estudos são necessários, para deixar claro se o risco de desenvolver o mal de Alzheimer é reduzido somente pelo combate da infecção por influenza. 

 

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FONTES:

Bukhbinder, A. S., Ling, Y., Jhin, L., He, E., Harris, K., Rodriguez, M., Thomas, J., Cruz, G., Phelps, K., Kim, Y., Chen, L., Jiang, X., & Schulz, P. E. (2026). Risk of Alzheimer Dementia After High-Dose vs Standard-Dose Influenza Vaccination. Neurology, 106(8), Article e214782. 

Bukhbinder AS, Ling Y, Hasan O, Jiang X, Kim Y, Phelps KN, Schmandt RE, Amran A, Coburn R, Ramesh S, Xiao Q, Schulz PE. Risk of Alzheimer's Disease Following Influenza Vaccination: A Claims-Based Cohort Study Using Propensity Score Matching. J Alzheimers Dis. 2022;88(3):1061-1074. doi: 10.3233/JAD-220361. PMID: 35723106; PMCID: PMC9484126.