Vírus menos conhecidos de gripe aviária também preocupam cientistas

 

08/04/2026

 

O vírus influenza A H5N1 é o mais conhecido entre as formas de gripe aviária, porém não é o único. Publicado em novembro de 2025, um estudo feito por um grupo de cientistas de Hong Kong trouxe mais atenção à transmissão do vírus H9N2. A pesquisa identificou mutações no patógeno, permitindo que ele se espalhe mais facilmente entre seres humanos, levando também a casos mais graves da doença. O número de casos de infecção identificados ainda é pequeno: desde 1998, somente 200 indivíduos testaram positivo. Porém, na China, os casos saltaram de 11 em 2024 para 29 em 2025. Um total que ainda parece baixo, mas que representa um aumento de mais de 160%. E, como nem todas as pessoas que apresentam sintomas de gripe são testadas, os autores do estudo estão certos de que os números reais são maiores.

Importante destacar que outros vírus de gripe aviária estão circulando no continente americano. Em setembro de 2025, foi identificado no México o primeiro caso de infecção pelo vírus H5N2 em seres humanos – o paciente sobreviveu. Já em novembro do mesmo ano, um paciente morreu nos Estados Unidos por infecção de outro subtipo do vírus influenza: H5N5. A variante H5N1, forma mais conhecida de vírus da gripe aviária, continua sob monitoramento e preocupa com a sua capacidade de se espalhar entre as espécies. Não apenas o setor aviário dos Estados Unidos foi amplamente afetado, mas também a produção de leite e carne bovina. 

Segundo a Organização Panamericana de Saúde (OPAS) em relatório publicado em Novembro de 2025, o Brasil ainda não apresentou nenhum caso em humanos.Porém, desde 2023, o Ministério da Agricultura vem mantendo o Brasil em estado de emergência zoosanitária porque o vírus segue circulando pelo país em aves silvestres e de criação (cidade de Montenegro no Rio Grande do Sul em maio de 2025). No dia 06 de janeiro de 2026, a OPAS lançou em seu site um painel interativo, onde os casos de gripe aviária no continente americano podem ser conferidos e atualizados a qualquer momento. Por ora, incluindo apenas dados sobre a variante H5N1 do vírus, os números são divididos por região e espécie atingida.


Vacinas de RNA

 

A postura adotada pelo atual governo dos Estados Unidos tem preocupado os especialistas da área, pelo fato do país ter uma grande criação de animais e muita influência nas decisões internacionais. Em 2025, o governo Trump desmontou o setor de biossegurança nos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e o escritório de preparação para pandemias que existia na Casa Branca. Outra atitude controversa foi a do secretário de saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., que cortou mais de 600 milhões de dólares em contratos para o desenvolvimento da tecnologia de vacinas de RNA.

Apontado como a principal biotecnologia na prevenção contra vírus com potencial de provocar uma nova pandemia, o RNA mensageiro foi peça fundamental no desenvolvimento das vacinas contra a covid-19. Em vez de expor o corpo ao vírus morto ou neutralizado, a vacina com o mRNA desenvolve no organismo a expressão do antígeno hemaglutinina, resultando em uma resposta imune mais efetiva no indivíduo vacinado. O DNA é a molécula que guarda todas as informações sobre a produção de proteínas, e o RNA mensageiro é a molécula que traduz essas informações, e as leva até os ribossomos – a parte da célula responsável por produzir proteínas seguindo as instruções. Assim, a vacina de mRNA carrega uma receita que ensina o ribossomo a produzir uma proteína encontrada no vírus, como o antígeno viral hemaglutinina; a proteína sozinha não é capaz de provocar a doença, mas é suficiente para que o sistema imunológico produza anticorpos contra o antígeno, bloqueando a infecção viral.

 

Cuidado e prevenção

 

Assim como o vírus influenza A H5N1, não há registro de que outros vírus da gripe aviária sejam transmitidos entre seres humanos. Em todos os casos identificados, os pacientes contraíram o patógeno ao ter contato com algum animal doente. Originalmente encontrado em aves silvestres, os diferentes vírus de gripe aviária passaram a circular também entre aves domésticas e até mesmo entre mamíferos.  Se um mesmo indivíduo é infectado por diferentes formas de vírus da gripe ao mesmo tempo, eles podem trocar informação genética dentro do organismo e acabar levando ao surgimento de variantes. Por isso, cientistas têm levantado o risco de uma nova pandemia, e a necessidade de ampliar a cobertura das vacinas contra a gripe já disponíveis. A orientação das autoridades de saúde é: tomar as vacinas da gripe atualmente disponíveis; evitar o contato com aves e mamíferos silvestres; nos países onde o vírus circula por animais de criação, evitar o consumo de ovos, leite e carne crus; em caso de sintomas de gripe, procurar um centro de saúde para testagem.  

 

VEJA TAMBÉM

Ressurgimento do vírus da influenza aviária altamente patogênica A(H5N1) zoonótica no Camboja

Primeiro caso grave de gripe aviária H5N1 no México

 

 

FONTES:

Chen LL, Ip JD, Chan WM, Lam SJ, Leung RC, Yip CC, Zhang X, Chu AW, Tsoi HW, Li A, Chan KH, Fong CH, Wen L, Poon JH, Lo JY, Luk KS, Chan JF, Chen H, Zhou J, Yuen KY, Kwan MY, To KK. Enhanced replication of a contemporary avian influenza A H9N2 virus in human respiratory organoids. Emerg Microbes Infect. 2025 Dec;14(1):2576574. doi: 10.1080/22221751.2025.2576574. Epub 2025 Nov 3. PMID: 41099079; PMCID: PMC12584838.

Pan American Health Organization/World Health Organization. Epidemiological Update: Avian Influenza A(H5N1) in the Americas Region, 24 November 2025. Washington, D.C.: PAHO/WHO; 2025