Estudo mostra circulação do vírus da gripe em animais de estimação no Chile

Levantamento feito no Chile preenche uma lacuna de informações sobre o vírus de influenza A na América do Sul

26/06/2026

 

Um artigo publicado recentemente na revista Zoonoses Public Health mostrou a circulação do vírus da gripe A em cães e gatos em Santiago, capital do Chile. Segundo o texto, é a primeira vez que se comprova a presença do vírus entre felinos domésticos na América do Sul. Os pesquisadores destacam que a vigilância sobre o vírus se concentra principalmente na América do Norte, Europa e Ásia, ainda havendo poucos dados sobre infecções em animais pets na América do Sul. Segundo os autores, esse monitoramento é importante para detectar patógenos com potencial de provocar uma nova pandemia.

O estudo foi liderado por Cecilia Baumberger, da Universidade do Chile, e por Francisca Di Pillo, da Pontifícia Universidade Católica do Chile. O artigo é também assinado por outros nove cientistas, do Chile e dos Estados Unidos. A pesquisa monitorou traços da conhecida H1N1, de duas variantes de gripe canina (H3N2 e H3N8) e de uma variante de gripe aviária (H3N6). Segundo os autores, os resultados reforçam a importância de ampliar a vigilância entre animais domésticos.


Metodologia e resultados

 

A pesquisa utiliza dados coletados entre Junho e Novembro de 2020 de cães e gatos que viviam em abrigos e casas com animais vivendo em grupo. As informações de saúde vieram de exames de sangue para detectar anticorpos contra o vírus e amostras da orofaringe coletadas com swab (com uma haste flexível com algodão ou tecido na ponta). Enquanto este exame identifica infecções ativas no momento, o exame sorológico mostra um histórico dos indivíduos que já tiveram contato com um vírus.

O percentual de cães e gatos doentes identificados ficou em 3,2% e 5,8% respectivamente. Porém, o exame sorológico detectou anticorpos contra o vírus Influenza A em 55,5% dos cachorros e 50% dos felinos – isso significa que vírus da gripe circula de forma expressiva na população de animais de estimação da capital chilena. Formas menos comuns de gripe canina e aviária não foram detectadas.

O gráfico acima, publicado no artigo, mostra os quatro subtipos do vírus Influenza A investigados – ainda não há registro de circulação dos dois últimos nas Américas.
 

 

Cuidado e prevenção

 

Não há registros das variantes do vírus Influenza A conhecidas como gripe canina e gripe aviária circulando entre humanos – os dados mostram que as pessoas afetadas tiveram contato com animais infectados. Porém, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a vigilância, especialmente de animais domésticos e de criação, para evitar o risco de uma epidemia desses vírus em humanos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) monitora especialmente o vírus aviário de influenza A H5N1, conhecido como gripe aviária. Apesar do nome, os dados mostram que esse vírus já circula entre mamíferos selvagens e de criação. No Brasil, essa variante já foi detectada em aves selvagens, aves de criação e mamíferos selvagens, o que requer atenção de criadores e autoridades de saúde. Não foram ainda notificados e nem sabemos se houveram casos de animais de estimação infectados com este vírus na região do continente sulamericano.

 

 

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FONTE:

Baumberger C, Di Pillo F, Sanchez F, Sepúlveda A, Marambio V, Orozco K, Tapia D, Hamilton-West C, Sharp B, Schultz-Cherry S, Jiménez-Bluhm P. Serological and Molecular Surveillance of Influenza A Virus in Dogs and Cats in Central Chile. Zoonoses Public Health. 2026 Jun 21. doi: 10.1111/zph.70073. Epub ahead of print. PMID: 42324577.