A pesquisa descreve como vacinas podem se tornar mais eficientes e evitar o espalhamento de vírus, especialmente os de rápida mutação
17/06/2026
Um estudo publicado recentemente mostrou como o uso de vacinas sequenciais contra o vírus da gripe podem tornar a imunização mais ampla e duradoura. O trabalho se propõe a contornar limitações de uma tendência natural do organismo, chamada impressão imunológica. A pesquisa foi feita por meio de testes em furões, mapeando a transmissão e o controle do vírus influenza A (H3N2) que infecta diferentes espécies com suas muitas variantes. Publicado recentemente na revista Nature Communications, o estudo é liderado por Xiu-Feng Wan, professor de microbiologia molecular e imunologia na Faculdade de Medicina da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos. Assinado por outros vinte e quatro pesquisadores, o artigo indica que a combinação de vacinas sequenciais pode aumentar a amplitude e durabilidade da proteção contra outros vírus de rápida evolução, além da influenza.
Quando o sistema imunológico aprende a responder contra um vírus, seja por meio de uma infecção real ou de vacinação, há uma tendência de que as células de defesa guardem essa memória. Se novas versões do vírus entrarem no organismo, o corpo tende a responder com os anticorpos que funcionaram da primeira vez. Chamada de impressão imunológica, essa tendência do organismo pode deixá-lo vulnerável quando os anticorpos guardados na memória já não são capazes de combater as novas variantes do vírus. A impressão imunológica, ou imprinting como é conhecida em inglês, funciona através da tendência de memorizar e atacar os epítopos dominantes de um vírus. Estes epítopos estão em regiões da superfície dos vírus, que eles usam para se ligar e infectar células saudáveis, mas que também permite que eles sejam identificados pelo sistema imune e atacados.

Imagem representa um vírus ao centro, rodeado por anticorpos que reconhecem e se ligam aos epítopos - representados na imagem pelos pontos mais altos na cobertura do virus (FONTE: Cofen)
O experimento descrito no artigo reprogramou a hierarquia de epítopos na memória dos furões (escolhidos como modelo animal por terem uma resposta imune semelhante à impressão imunológica dos seres humanos). As vacinas em sequência fizeram com que as células de defesa dos animais pudessem reconhecer e atacar diferentes epítopos, não mais somente os dominantes. Os resultados encontrados foram: a indução de anticorpos neutralizantes foi acelerada; a reatividade foi ampliada; maior proteção cruzada e menor disseminação do vírus. Essa proteção ampliada acontece porque células B, parte do sistema imunológico, passam a competir e atacar epítopos diferentes ao mesmo tempo. Com análise estrutural e mapeamento dos epítopos, o estudo comprovou que as células de defesa passaram a ser direcionadas a epítopos que antes ficavam conservados. Uma vez que a impressão imunológica limita o combate a outros tipos de vírus, os pesquisadores prevêem um uso mais amplo da técnica de reprogramação.
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FONTE:
Wan, XF., Guan, M., Balamalaliyage, P. et al. Epitope-spanning antigenic variation reprograms immunodominance and broadens immunity in sequential influenza vaccination. Nat Commun 17, 3340 (2026). https://doi.org/10.1038/s41467-026-70202-y