Pesquisa identifica proteína envolvida na entrada do vírus influenza nas células

Pesquisadores afirmam que a descoberta permite avaliar o risco de que novas formas do vírus sejam transmitidas de animais para humanos

30/06/2026

 

Um estudo publicado recentemente no Journal of Virology, periódico científico dos Estados Unidos, revelou uma diferença na forma como dois tipos diferentes do vírus influenza A – H1N1 e H3N2 – entram nas células do pulmão. A variante K do vírus influenza A H3N2 tomou o noticiário no fim de 2025 ao ser identificada em circulação no mundo e inclusive Brasil. O artigo que apresenta o estudo é assinado por quinze cientistas de diferentes áreas.

A pesquisa se concentrou em observar a proteína Rab11, responsável por transportar outras proteínas dentro da célula. Já se sabia que o vírus da influenza utiliza essa proteína para entrar na célula, chegar ao seu núcleo e produzir cópias de si mesmo. Mas o estudo percebeu uma diferença de atuação entre a variante Rab11A e Rab11B – essa última provou estar ligada especialmente à entrada do vírus influenza A H3N2 na célula.

Por meio de testes, os autores do artigo perceberam que as duas formas da proteína são importantes para a reprodução do vírus influenza A – quando retiradas, tanto a variante H1N1 quanto a variante H3N2 não puderam se multiplicar com eficiência. Porém, quando o teste retirou somente a Rab11B, e manteve a Rab11A, apenas o vírus influenza A H3N2 deixou de se reproduzir com eficiência.


Metodologia e resultados

 

Os testes foram feitos com amostras dos vírus coletadas no ano de 2022 em duas cidades dos Estados Unidos: Burlington, no estado de Vermont, e Baltimore, no estado de Maryland. Nas duas amostras, o vírus influenza A H3N2 mostrou dependência especial da proteína Rab11B para se reproduzir. Os cientistas perceberam que, inibindo a proteína, eles reduzem a quantidade de células que podem ser infectadas, e não a intensidade da infecção. Ou seja, as células infectadas permitem que a influenza A se reproduza normalmente, mas a inibição da proteína Rab11B evita que outras células sejam infectadas.
 

A Rab11B pode transportar um receptor de ligação específico para o IAV H3N2. A partir deste estudo, um modelo foi proposto, no qual os vírions H3N2 (azuis) se ligam a proteínas da superfície celular diferentes daquelas às quais se ligam os vírions H1N1 (verdes), e essas proteínas de superfície celular (supostos "receptores" de ligação) são transportadas de maneira diferencial pela via de reciclagem da Rab11B. Nesse contexto, a(s) proteína(s) necessária(s) para a ligação dos vírions H3N2 é(são) transportada(s) em vesículas positivas para Rab11B, enquanto a(s) molécula(s) necessária(s) para a ligação do H1N1 é(são) transportada(s) por uma via celular diferente (ainda não identificada) e independente da Rab11B.

 

Porém, os autores do estudo apontam para a necessidade de mais estudos – a partir de amostras do vírus influenza A de outras épocas além de 2022, e observando o comportamento do vírus em células de outras partes do organismo e até de outras espécies. Esse avanço de compreensão poderá ajudar a bloquear o avanço de epidemias sazonais e até a transmissão entre seres humanos de variantes do vírus influenza que hoje circulam entre animais.

 

Cuidado e prevenção

 

Embora haja outras formas do vírus influenza, os autores destacam que as duas variantes estudadas são as únicas que, atualmente, circulam de forma ampla entre seres humanos (variantes conhecidas como gripe aviária, até hoje, só foram transmitidas a pessoas que tiveram contato com animais infectados). Destacam também a alta capacidade de mutação desse tipo de vírus, levando a epidemias sazonais. Os cientistas destacam a alta capacidade de mutação do vírus da gripe, e a necessidade de controle das epidemias sazonais.

 

 

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FONTE:

Turner AH, Jaffrani SA, Kubinski HC, Ajayi DP, Owens MB, Fanuele CD, McTigue MP, Appenzeller CL, Bowling A, Despres HW, Schmidt MM, Shirley DJ, Crothers JW, Barrantes-Reynolds R, Bruce EA.0.Rab11B is required for binding and entry of recent H3N2, but not H1N1, influenza A isolates. J Virol0:e02111-25.https://doi.org/10.1128/jvi.02111-25