Possível nova pandemia: estudo apresenta dois vírus com potencial para nova crise global

Artigo descreve como estes novos patógenos têm circulado, e dá recomendações a profissionais de saúde e gestores públicos

 

10/04/2026


O vírus influenza D e o coronavírus canino (CCoV-HuPn-2018) vêm evoluindo em casos de doenças respiratórias e gerado preocupação, segundo estudo publicado por um grupo de cientistas dos Estados Unidos. Embora não tenham sido identificados casos de transmissão entre seres humanos, os dois vírus foram detectados em grupos de diferentes países, formados por indivíduos que vivem em contato com animais infectados.

O vírus da influenza D atinge principalmente vacas e porcos, mas também já foi identificado em camelos, lhamas, aves de criação e em animais silvestres, como veados, girafas, gnus e cangurus. Segundo a pesquisa, esses hospedeiros são semelhantes aos que também apresentam o vírus da gripe aviária – influenza A(H5N1) – e isso indica que a influenza D está evoluindo no seu potencial de contágio. Já o coronavírus canino está ligado a sintomas gastrointestinais em cachorros, enquanto que nos seres humanos ele aparece principalmente em casos de pneumonia. Os autores da pesquisa alertam que os testes atuais para doenças respiratórias não detectam o vírus CCoV-HuPn-2018, e mesmo a influenza D ainda não é identificada corretamente.

Os resultados foram publicados no artigo intitulado Emerging Respiratory Virus Threats from Influenza D and Canine Coronavirus HuPn-2018, publicado na Emergent Infectious Diseases em Janeiro de 2026. O periódico faz parte da estrutura do Centro de Controle de Doenças (CDC), órgão do governo federal dos Estados Unidos. O texto é assinado por seis cientistas, de quatro diferentes universidades estadunidenses.

 

No artigo, pesquisadores ilustram o ciclo de transmissão do vírus da Influenza D.

Na figura acima, retirada do artigo citado, os pesquisadores ilustram no artigo o ciclo de transmissão do vírus da Influenza D.

 

 

Recomendações de controle e vigilância

 

Para os profissionais de saúde, os autores que conduziram a pesquisa recomendam atenção redobrada para identificar a presença dos dois vírus em casos de doenças respiratórias. Em casos de pneumonia, os profissionais recomendam testagem específica para o coronavírus canino  quando os testes não mostrarem a presença de outro patógeno. Para isso, eles destacam a importância de testes comerciais PCR para diagnósticos e transcrições reversas em tempo real. Já em relação ao tratamento, a recomendação é o uso de medicamentos antivirais.

Já para autoridades de saúde, os cientistas recomendam vigilância, especialmente de populações que vivem em contato direto com gado, aves de criação, e animais silvestres que possam estar contaminados com os vírus. O teste e o diagnóstico nessas espécies é recomendado para vírus em seis famílias virais: adenoviridae, eoronaviridae, orthomyxoviridae, paramyxoviridae, picornaviridae e pneumoviridae.


A identificação das doenças

 

O artigo apresenta dados sobre como os dois vírus vêm sendo rastreados ao longo do tempo. Em 2016, 97% dos indivíduos que trabalhavam com criação de gado no estado da Flórida, nos Estados Unidos, apresentaram anticorpos contra a influenza D – isso significa que houve contaminação com o patógeno em algum momento. Esses traços da doença foram encontrados em 67% das pessoas monitoradas no estado do Colorado em 2023. Recentemente, os mesmos traços foram identificados em 73% dos indivíduos estudados na região nordeste da China.

Já o coronavírus canino foi primeiramente identificado por um dos autores do artigo em 2017. O caso foi diagnosticado a partir de um profissional de saúde que adoeceu após viajar do Haiti para o estado da Flórida. Em 2021, pesquisadores da Universidade do Texas Medical Branch identificaram um vírus quase idêntico na Malásia – constatou-se que tratava-se da mesma cepa. Mais recentemente, os autores do artigo identificaram o coronavírus canino no Vietnã, em 18 dos 200 casos de pneumonia avaliados. A Tailândia e o estado americano do Arkansas também registraram casos positivos. Assim, os autores recomendam o monitoramento também desses dois vírus.

 

 

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FONTE:

Gray GC, Vlasova AN, Lednicky JA, Nguyen-Tien T, Shittu I, Li F. Emerging Respiratory Virus Threats from Influenza D and Canine Coronavirus HuPn-2018. Emerg Infect Dis. 2026;32(1):1-6. https://doi.org/10.3201/eid3201.251764